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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Mark Urban

Enquanto o progresso do movimento do grupo extremista foi interrompido no Iraque, há um sentimento próximo ao desânimo em relação aos resultados ao longo de toda a fronteira.Uma figura importante na coalizão liderada pelos Estados Unidos me disse: "No momento, nós não estamos indo a lugar nenhum na Síria".
Uma série de recentes reveses acentua este ponto. Os Emirados Árabes Unidos, discretamente, se retiraram das missões de ataque na Síria, e, com isso, levantaram questões sobre o quão longe outros países, que não os Estados Unidos, estão indo neste conflito.
Também houve revelações sobre o fracasso da CIA, a agência de inteligência americana, para desenvolver uma força especial na qual rebeldes que lutam contra o presidente Bashar al-Assad possam confiar.
A divulgação de um vídeo, que mostra o piloto jordaniano Moaz al-Kasasbeh sendo queimado vivo, demonstrou, muito claramente, que o Estado Islâmico criou um refúgio seguro onde pode agir impunemente.No início desta semana, Vincent Stewart, diretor da Agência de Inteligência de Defesa, principal organização militar de espionagem dos Estados Unidos no exterior, entregou ao Congresso americano uma avaliação que foi considerada por muitos como surpreendentemente pessimista.
Enquanto alguns comandantes afirmaram que os ataques da coalizão interromperam as ações do Estado Islâmico em seus territórios, o general Stewart disse que, neste ano, o movimento jihadista deve "continuar consolidando-se e ganhando terreno em áreas sunitas do Iraque e da Síria. Ao mesmo tempo, continuará lutando por território fora dessas áreas".
Na Síria, em particular, as complexidades políticas e a falta de objetivos claros tornam mais difíceis ações militares .Alguns parceiros da coalizão, como a Turquia e os países do Golfo, acreditam que nada pode ser feito até que a estratégia dos Estados Unidos abarque a deposição do presidente Assad ─ mas o Iraque, peça central para o plano atual dos americanos, apoia o regime sírio.
Quando os ataques americanos começaram na Síria, em dezembro do ano passado, com o temor de que o Estado Islâmico tomasse Bagdá ─ e o fato de que o governo local tinha pedido ajuda estrangeira – criou-se uma política de "Iraque em primeiro lugar".
Até agora, foram realizados mais de 1.250 ataques da coalizão no Iraque, e muitos parceiros se juntaram não só em ações aéreas, mas no esforço para treinar e reequipar o Exército iraquiano para que ele pudesse retomar o terreno perdido para os jihadistas. O fato de ter as forças iraquianas e curdas em terra permitiu uma orientação mais efetiva dos ataques no Iraque. De fato, em alguns lugares, eles realmente conquistaram de volta alguns territórios.
Muitos ataques aéreos certamente mataram militantes do Estado Islâmico. Segundo avaliação recente do Comando Central dos Estados Unidos, o número de mortos chega a 6 mil. Relatos diários de algumas baixas aqui ou ali levaram um oficial superior da Marinha dos Estados Unidos, com quem conversei recentemente, a avaliar o progresso em atacar o alvo como "alguns corpos de cada vez".
No entanto, particularmente, oficiais americanos estão receosos em relação às chances de retomada das cidades iraquianas de Tikrit e Mosul ─ assim como outras regiões tomadas pelo Estado Islâmico no ano passado ─, acreditando que o esforço de treinamento está acontecendo muito lentamente e que as forças do governo iraquiano estão pecando em espírito ofensivo.
A ideia do 'Iraque em primeiro lugar' teve como objetivo lidar com uma ameaça estratégica urgente ─ a existência do Estado Islâmico ─ e evitou o fato de que a formulação de uma estratégia coerente para a Síria parecia incrivelmente difícil. Agora que a frente no Iraque se estabilizou, as divergências da coalizão sobre a Síria foram reveladas. Apagar essa fronteira entre os Estados é, afinal, uma parte importante da ideologia e das operações jihadistas.
À primeira vista, o fato de que mais de 1 mil ataques da coalizão foram possíveis na Síria sugere um nível semelhante de efeito como no Iraque. No entanto, muitos desses ataques foram na área de Kobane ─ a cidade-chave curda na fronteira com a Turquia ─ onde, efetivamente, os aliados não têm uma força terrestre para ajudá-los. Tem sido muito mais difícil em outros lugares. É também evidente que tais missões de países fora da coalizão liderada pelos Estados Unidos "secaram".
Até o momento, esses países ─ todos árabes ─ são responsáveis por cerca de 7% de todas as ofensivas contra o Estado Islâmico na Síria. Mas apenas oito dos 81 ataques deste tipo ocorreram no mês passado. Assim, de forma eficaz, tendo iniciado com entusiasmo em setembro passado, o elemento árabe desta coligação praticamente desapareceu. O medo de ter parte de seu efetivo capturado pelo Estado Islâmico pode ter tido um papel primordial nisso. Os Emirados Árabes Unidos interromperam o bombardeio porque os Estados Unidos não moveram sua força de resgate do Kuwait para uma base no norte do Iraque, mais próximo do território controlado pelo grupo extremista.
Isso reduziria o tempo de resposta caso outro caça do país fosse abatido, mas parece que as sensibilidades políticas americanas sobre colocar 'tropas terrestres' na base no norte do Iraque teriam se sobreposto à decisão correta do ponto de vista militar. Uma imensa maioria dos problemas enfrentados por aqueles à frente dessa campanha ─ desde resgatar pilotos abatidos ou realizar incursões com forças especiais, até reduzir o número de combatentes estrangeiros juntando-se ao EI ou apoiar a oposição síria ─ seria pelo menos atenuada se a Turquia cooperasse mais efetivamente.
No outono passado, o governo turco anunciou que daria essa ajuda ─ ao apoiar os Estados Unidos em estabelecer uma grande zona-tampão no norte da Síria. Esse é um passo que colocaria os aliados no caminho para confrontar o governo do presidente Bashar al-Assad em Damasco. Mas a ideia de que a coalizão deponha o presidente Assad não é consenso entre seus membros.
Alguns militares de alta patente do Reino Unido e França acreditam que os Estados Unidos devem realmente estar fazendo o contrário - reconhecendo que o exército sírio é a força terrestre mais eficaz no país e cooperando com ele. O Iraque, e seu aliado Irã, têm apoiado o presidente Assad, e ficariam encantados com tal desenvolvimento. Os Estados Unidos, no entanto, não estão preparados para entrar em qualquer tipo de aliança formal com o presidente Assad, pois o acusam de ser o principal responsável pela chacina da guerra civil da Síria.
Eles também sabem que a diminuição da cooperação com os países do Golfo Árabe não é apenas por causa do piloto jordaniano queimado vivo. Eles receberam mensagens explícitas - semelhante às da Turquia - de líderes da Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, descrevendo o presidente Assad como a causa principal da situação da Síria e dizendo que sua deposição deve ser parte da solução. Diante desse dilema, os estrategistas americanos estão pensando em algumas novas opções.
Uma deles, uma zona-tampão, iria explorar a cooperação turca, a fim de assegurar bases naquele país, bem como a inserção de forças especiais e campos de treinamento dos rebeldes no norte da Síria. Isso não funcionará desde que a proposta turca - que previa avançar em até 145 km para dentro da Síria, tomando o controle de grandes centros, como Aleppo e Idlib – mas um acordo poderia vir a ser firmado. "Nós temos uma ‘estratégia’ para a derrota é e uma ‘política’ para lidar com [o presidente] Assad”, um representante de alta patente da coalizão me disse, destacando a incompatibilidade entre as abordagens em diferentes lados da fronteira Iraque-Síria.
Até a Casa Branca resolver sua posição em relação ao líder sírio, será muito difícil atacar efetivamente os militantes do Estado Islâmico e destruí-los. 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Nota nº 24

29/01/2014 -

O Brasil foi eleito nesta quarta-feira, 29 de janeiro, por aclamação, para a presidência da Comissão de Construção da Paz (CCP) das Nações Unidas em 2014. Além da presidência, o Brasil dirige os trabalhos da Comissão relativos à Guiné-Bissau.

Criada em 2005, e inspirada em alguns dos princípios promovidos pelo Brasil ainda no final da década de noventa, a Comissão de Construção da Paz tem como principal objetivo auxiliar os países recém-egressos de conflitos armados a consolidarem a segurança, bem como alcançarem estabilidade política e desenvolvimento sustentável com inclusão social. Além da Guiné-Bissau, estão na agenda da Comissão: Burundi, República da Guiné, Libéria, República Centro-Africana e Serra Leoa.

Durante seu mandato em 2014, o Brasil deverá promover maior participação de países em desenvolvimento, organizações regionais e sub-regionais africanas e da sociedade civil nas atividades da Comissão, bem como manter engajamento produtivo com o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Buscará promover ainda reflexão sobre a interdependência entre segurança e desenvolvimento nas atividades de construção da paz e sobre a importância da apropriação nacional e da capacitação de quadros locais para o êxito das políticas de ajuda a países egressos de conflito.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Trilha sonora :)

Uma das coisas que me faz ter tanta vontade de seguir a diplomacia é acreditar que isso proporciona que conhecemos a diversidade do mundo. Acredito que, dependendo da função em que se atua, o diplomata pode ter contato real com as pessoas, costumes e culturas. Além disso, creio que é criada certa facilidade para nos tempos de folga viajar e conhecer um pouco mais sobre locais e culturas curiosos.
A maioria das pessoas já tem definido o que quer fazer, os locais em que sonha trabalhar e os países em que gostaria de viver. Eu não. Eu quero seguir a diplomacia para viver em qualquer lugar, mesmo os mais remotos e difíceis. E gostaria de trabalhar com pessoas, diretamente, se possível (sonho, sequer passei no concurso >.<). Eu não sonho em morar na Europa, nos lugares mais "desenvolvidos", cidades mais bonitas e mais luxuosas, e ter contato com as "mentes mais importantes" (algo que acho muito controverso, já que muitas pessoas das mais incríveis são anônimos e subjugados). Aliás, não entendo quem pensa "até na África", a África é incrível!
Eu gostaria de morar nos países mais curiosos, mais diferentes e poder conhecer as pessoas, as suas culturas, ideias de vida, e como fazem para superar isso. Talvez porque, de uns tempos para cá, aprender a superar é uma constante na minha vida. E a impressão que tenho é que isso sempre vai me acompanhar, a cada dia, a cada ano, aprender a viver, a ter paciência, a compreender. E não há melhor maneira de aprender isso do que com as pessoas simples que tem que viver o dia-a-dia. Aliás, as culturas diferentes, crenças e costumes nos ensinam um pouco sobre conceitos de mundo, e, como se fossem um quebra-cabeça, o contato com cada uma delas nos faz ter "revelações" parciais do que é esse universo.
Acho fascinante a ideia de exploradores urbanos, pessoas que trilham caminhos "sagrados" a pé, aventureiros que fazem trilhas, quem supera seus limites para conhecer o fundo do mar ou os lugares mais altos do planeta. Essas experiências não precisam ser compartilhadas na internet (ao contrário do que a maioria faz, querendo exibir viagens luxuosas), porque o que importa é o quanto elas nos transformam, o quanto aprendemos sobre o que é a vida, e sobre o mundo; que na verdade, tudo é parte de uma "grande bola flutuante no universo".
Eu acho que isso é um pouco da diplomacia; é descobrir, superar, desafiar e tentar unir, unir as pessoas, aprender com elas, e progredir, cada um progredir com o que o outro tem a ensinar...

Esse ensaio, que vi na BBC, mostra um pouco como os locais remotos e as culturas distantes são as mais fascinantes. Creio que ainda guardam muito da essência do mundo e da humanidade (se é que existe isso), ao contrário do nosso mundo frenético, tecnicista e virtual (e falso também). Se virarmos diplomatas, teremos sorte de poder resgatar um pouco disso. Isso me inspira a seguir em frente. Acredito que isso é uma das "bençãos" de passar no concurso, e, considerando o que estudamos sobre a diplomacia brasileira, teremos a sorte e a honra de poder vivenciar e ajudar a construir.

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'Antes que morram': fotógrafo capta diversidade de tribos indígenas no mundo
BBC
As tradições e costumes das poucas tribos indígenas remanescentes do planeta foram documentadas pelo fotógrafo britânico Jimmy Nelson, que as reuniu no projeto "Before They Pass Away" (Antes que elas morram, em tradução livre).



Entre as tribos retratadas estão nativos seminômades cazaques, do oeste da Mongólia - um deles é visto na foto acima durante a temporada de caça.



Papua Nova Guiné ocupa o leste da segunda maior ilha do mundo e está sujeita à atividade vulcânica, a terremotos e a grandes ondas. Em termos linguísticos, trata-se do país mais diverso do mundo, com mais de 700 idiomas nativos. Muitas das tribos retratadas por, como Huli, Asaro e Kalam, vivem isoladamente no montanhoso interior da ilha e têm pouco contato entre si ou com o mundo exterior.



Chukotka, no extremo nordeste da Rússia, é uma região extremamente remota, às margens do estreito de Bering e do círculo Polar Ártico. Moram ali 68 mil pessoas, sob um rigoroso inverno de temperaturas de até -40ºC. Acima, os chukchi, uma das tribos habitantes da região, dentro de um abrigo.



A Nova Zelândia é dominada por dois grupos culturais: os de ascendência europeia e a minoria maori, cujos ancestrais polinésios chegaram às ilhas neozelandesas cerca de mil anos atrás. Os primeiros europeus a chegar ali ficaram espantados pelos desenhos nos rostos e corpos dos nativos. Os rostos dos homens costumam ser marcados da testa ao pescoço, semelhante a uma máscara e servindo como forma de provar a virilidade do guerreiro.



O antigo reino de Lo - agora conhecido como Alto Mustang - costuma ser descrito como a mítica Shangri-lá escondida do Nepal, por ser um local remoto e isolado do mundo exterior. A região é um dos poucos lugares onde a cultura tibetana permanece intacta. Até 1992, era totalmente fechada para turistas. Acima, a tribo Lopa, em Mustang.



O gaúcho é o equivalente argentino ao caubói americano - espíritos livres que percorrem os pampas, cuidam do gado e não são subordinados a ninguém.



Grupos nômades, vivendo às margens da sociedade no Chifre da África, vivem sob pressão e temem que seu estilo de vida tradicional esteja a perigo. A tribo mursi, pastores na região Omo do Sul, na Etiópia, é um desses grupos.



Os Rabari são uma das sociedades mais reclusas e tradicionais da Índia, famosos por sua robustez e pelos incríveis bordados que criam. As mulheres da tribo chegam a passar anos costurando itens de seu dote.



As ilhas Vanuatu obtiveram sua independência da França e da Grã-Bretanha em 1980. A maioria das cerca de 80 ilhas são desertas; algumas têm vulcões ativos. A terra é muito importante para os indígenas ni-Vanuatus (vistos acima perto de um vulcão) e uma parte significativa de sua cultura.



Pastores de renas da tibo Nenets habitam a península Yamal, no Ártico russo, há mais de mil anos. Hábitos do século 21 parecem muito distantes deles, mas muitos têm celular, motos especiais para a neve e geradores. Os pastores se opõem à chegada do desenvolvimento em sua região com medo de perder mais de suas terras pastorais, de onde tiram o alimento de suas renas.


Site do projeto (com fotos incríveis): http://www.beforethey.com/
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Abraços, bons estudos e fighting! ;)


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Dia 11 (ontem) a Europa celebra o final da Primeira Guerra Mundial, iniciada há 99 anos.
 
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Diversas celebrações na Europa lembraram, nesta segunda-feira, os 95 anos desde o fim da Primeira Guerra Mundial, cujo armistício foi anunciado em 11 de novembro de 1918.
(BBC)
Foram quatro anos de guerra, que começou em 1914 com uma disputa entre o Império Austro-Húngaro e a Sérvia – após o assassinato do duque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austro-húngaro, em Sarajevo – e se estendeu para outros países da Europa, envolvendo também os EUA.
O saldo foi de mais de 9 milhões de mortos, grande parte deles nas trincheiras.
A BBC recuperou arquivos históricos de pessoas que viveram o Dia do Armistício e relembraram momentos de alívio - ou de perda.
"'A guerra acabou, você não sabia?', me diziam na rua. Fiquei surpreso: estávamos em um estágio em que achávamos que nunca ia terminar", disse um soldado britânico que estava na Bélgica e foi surpreendido por civis belgas e seus colegas soldados comemorando nas ruas após a notícia do armistício se espalhar.
"Soubemos que a paz estava chegando", disse uma londrina, sobre as comemorações. "Parecia que tudo ao redor de nós esperava por isso. Todos esperavam pelo fim da guerra, e o dia em que ele chegou foi tão feliz."
No Dia do Armistício, na capital britânica, "todos correram para as ruas par saber o que estava acontecendo. As pessoas lotaram as ruas, dançando", lembrou ela.


Geração perdida


Mas nem todos tinham motivo para comemorar aquele dia. Uma geração havia perdido grande parte de seus homens.

Em praticamente todas as cidades da Europa havia ao menos uma família de luto por um parente morto em combate.
Uma família britânica recebeu a notícia da morte de um ente querido, um militar que lutou na guerra, justamente na manhã do armistício.
"Às 8h15 da manhã, em 11 de novembro, recebemos uma carta oficial pelo correio. Levei-a para minha mãe, que ainda estava na cama. E assim soubemos que meu pai havia morrido. Acho que ele estava no último navio britânico afundado", disse o filho de um combatente.
A 1ª Guerra Mundial é resultado do conflito de interesses entre diversos países europeus no início do século 20.

Alemães
A Alemanha ameaçava tanto o poderio econômico da Grã-Bretanha quanto os interesses políticos e militares da França e da Rússia. Havia rivalidades também em outras partes da Europa, sobretudo entre Sérvia e Áustria.
O conflito opôs a Tríplice Aliança, liderada pela Alemanha, e a Tríplice Entente, liderada pelos ingleses. Este último grupo acabou se tornando vencedor do confronto após receber o apoio dos EUA.
Aos alemães, foi imposta uma derrota humilhante.
O capitão britânico JPR Marriott testemunhou a reunião entre oficiais alemães, ingleses e franceses para estabelecer o armistício nas primeiras horas de 11 de novembro de 1918. O encontro, secreto, aconteceu em um bosque do interior da França.
Os próprios alemães se surpreenderam com a dureza dos termos do armistício, disse Marriott à BBC.
"Nunca tinha visto homens tão consternados como eles ao ler o acordo", relembrou. "Eles teriam de entregar 1,7 mil aviões, além de navios e trens. Eles não esperavam tanta severidade."
A derrota imposta à Alemanha na Primeira Guerra é apontada como um dos fatores que favoreceram a ascensão do nazismo – que, por sua vez, levou aos confrontos da Segunda Guerra Mundial.
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Abraços!

domingo, 23 de junho de 2013

Acho que todo mundo que está se preparando para o concurso já sabe que saiu o edital. Foi nesta semana, agora não me lembro o dia, rsrs...
Nem sempre posso postar aqui. Igual a todo mundo, tenho épocas atribuladas. Sugiro, então, que sempre acompanhem os outros blogs (na esquerda), porque sempre terá alguma atualização em um deles.


Pois bem, até aonde sei, não tem nenhuma inovação no edital, em termos de conteúdo. A maior (e pior) é o "corte" de 100 vagas, ao invés de 200, mas isso provavelmente pelo tempo que urge. Serão 30 vagas, o que segue a tendência de poucas vagas que vem de uns 3 ou 4 anos para cá.

O que isso pode mudar? Talvez a nota de "corte" aumente, mas nem tanto, afinal, muitos ficam com notas similares. Claro que para um CACD 1 ou 2 pontos pode ser algo difícil...então é bom cuidar na revisão.

Ah, o salário aumentou (eeeba!)... a data para a prova de primeira fase é 18 de agosto (domingo). As inscrições são de 25/06 a 09/07.

O edital está aqui

Sobre as manifestações recentes, não acho que seja pertinente ao blog comentar, acho muito difícil cobrarem isso em alguma prova. Mas gostaria de dizer apenas que ficamos horrorizados com a destruição do Itamaraty, totalmente sem sentido e sem motivo, e aparentemente ninguém tentando impedir, afora a polícia. E ainda mais com o pessoal agredindo e concordando com as agressões no Facebook do MRE, desmerecendo os diplomatas e nosso Primeiro Ministro. Os servidores fizeram um abraço simbólico ao prédio do MRE (o qual foi alvo de desdém).

Ataque ao Palácio
Abraço simbólico


Quanto as dicas que vou dar, são dicas para a prova de inglês, que há tempos anunciei mas não consegui cumprir.
A prova de inglês é a segunda com maior peso no TPS e também é umas das provas da 3a fase. É importante saber escrever bem. E saber um vocabulário formal e diversificado (até porque no TPS sempre tem uma questão sobre "que palavra é essa?"). Não é preciso muito floreio na parte escrita (que é composta de um resumo, uma tradução, uma versão e uma redação). Acho que a mais difícil é a prova de redação, pois se você tem 20 erros, você zera e são 50 pontos (se não me engano) perdidos :O!

Então, é ideal saber bem o vocabulário aplicado, pontuação, uso de artigos e a ordem da frase (seguidamente invertemos ordem de sujeito/adjetivos,etc).

Para o vocabulário, a dica que dou é: leia sites em inglês e anote as palavras. Anote poucas palavras, tente primeiro entender o texto sem procurar a tradução delas (porque obviamente você não saberá todas as palavras que existem na língua inglesa, então é preciso treinar isso). Depois, faça uma planilha e anote umas 7 delas. Coloque a palavra inglês, tradução, sinônimo/antônimo, exemplo de uso na frase. E tente ler ou usar essa folha nos seus simulados de redação/resumo...
Acho que um curso é ideal, mas se você ainda não faz, olhe os espelhos das provas anteriores para ter uma ideia de como fazer. O resumo é curto (são 200 palavras), e você tem que entender o que a banca quer, quais "pontos" do texto ela quer que esteja no seu resumo. Cada ponto vale 2 pontos, além da parte escrita. Então, é bom saber sintetizar sem perder a essência. Ah! Não é possível usar "reduções" como "it's (seria it is)" e etc.



Para a prova de português, estude MUITO pontuação. Acho que é a maior incidência de erros. E também colocação pronominal. Acho que o melhor é escrever um parágrafo e depois analisar a estrutura das frases para pontuar, assim é bem mais difícil de errar. Procure seguir o blog "dicas da diplomata" (link à esquerda) pois há uma série de palavras e expressões que usamos em textos científicos, etc, que não são aceitos. Ex: todas as palavras de "sentido figurado" como cenário, através, etc... é uma prova bem rigorosa, mas isso não ocorre com as outras provas da terceira fase.



Por fim, boa semana de estudos a todos. Estamos mais perto da prova que nunca!

terça-feira, 19 de março de 2013

que acabou de passar,mas eu fiquei perdidaaa... não estive tão empolgada para escrever quanto na anterior,então acabou passando...e também não sei bem as notícias internacionais (acompanho jornais brasileiros mas só falam daqui!).

- Papa eleito: link 1link 2link 3
- Resgate ao Chipre: link 1link 2
- Violência sexual na Índia: link 1link 2link 3
- Novo Primeiro Ministro da China: link 1link 2link 3


sábado, 9 de março de 2013

Estava pensando em cada sábado fazer uma retrospectiva dos principais fatos da semana, só indicando os assuntos e links com matérias sobre eles... talvez eu aprofunde e estude as matérias, colocando alguns comentários, no futuro...

            

- A morte de Hugo Chávez (dia 05.03) : link 1link 2link 3
- Eleição do Papa: link 1link 2link 3
- Eleições no Quênia: link 1link 2link 3
- Dia da Mulher: link 1link 2link 3
- Sanções à Coreia do Norte: link 1link 2link 3.

Boa leitura! :)

sexta-feira, 8 de março de 2013

Ao criar esse blog, que -creio já haver dito- tem inspiração em dois que sou muito fã - o "Jovem Diplomata" e o "Aspirante a Diplomata" - pensei em escrever textos curtos sobre matérias que possam interessar para o conhecimento para a carreira, e também para a prova. Além de ser uma forma para eu desenvolver a escrita, fazer buscas e me informar, também creio que poderei despertar nos eventuais leitores a associação de assuntos além do que é corriqueiramente abordado. 

A forma escolhida, obviamente, será de pequenos (talvez nem tanto) textos, sintetizando e ligando assuntos, e com links interessantes para quem quiser se aprofundar nas matérias abordadas. Obviamente não será nada comparado sequer a um resumo acadêmico, pois para isso é necessário maior aprofundamento e pesquisa - mas quem sabe também originará outras produções.

Para iniciar, então, abordarei a temática do dia 08 de março, dia internacional da mulher, data esta oficializada em 1975 por um decreto da ONU. Na realidade, a história sobre a data e mobilização para as comemorações e memórias do dia são bem mais antigas, e remetem a diversas fontes,além de haver várias discussões e algumas divergências. Tudo isso, entretanto, não será relatado neste texto, tendo em vista que para fazê-lo satisfatoriamente seria necessário um artigo apropriadamente escrito e focalizado. Porém, para quem quiser mais informações, aconselho a ler esses sites: história vivacarta maior e o dia internacional da mulher pela ONU.

O que me veio a cabeça relacionando as comemorações - não comerciais - da data, e que de certa maneira pipocam entre uma notícia de celebridade e outra, foi relacionar as políticas públicas para as mulheres e os oito objetivos do milênio. Fazendo um parênteses, me considero uma feminista (apesar do pouco estudo na área, o qual pretendo aprofundar), a qual está buscando cada vez mais se engajar nessa luta, e que pensa que essa poderá fazer parte do seu trabalho como futura diplomata :).


Mas por que os oito objetivos do milênio? Não seria fazer um reducionismo? Creio que não. De certa forma, vejo que as políticas efetivas nessa área começaram a surgir depois que essa "meta" foi lançada. Para quem nunca fez um trabalho de escola sobre isso, que nem eu (não fiz), e sabe pouco, fica aí um excerto do site do PNUD:

"Declaração do Milênio: Em setembro de 2000, 189 nações firmaram um compromisso para combater a extrema pobreza e outros males da sociedade. Esta promessa acabou se concretizando nos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) que deverão ser alcançados até 2015. Em setembro de 2010, o mundo renovou o compromisso para acelerar o progresso em direção ao cumprimento desses objetivos."

Eu acompanho algumas notícias sobre eles já faz um tempo. Sei que pouca gente se importa e também mal se fala sobre isso nas notícias. Mas o governo está a toda hora lançando dados, atualizando sites e informando sobre o que faz para cumprir essas metas. E, no que se refere a políticas públicas para as mulheres, o 3° objetivo busca: "igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres" e o 5°, que indiretamente e diretamente atinge as mulheres " melhorar a saúde materna".

Tendo em vista isso, vale lembrar que, em 2006, o Brasil promulgou a lei 11.340 - conhecida "Maria da Penha". Essa lei foi resultado de uma condenação do Brasil na CIDH e do Comitê para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, da ONU, e a Convenção Interamericana para Previnir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher. Em 2003, uma Lei que alterou a organização da Presidência da República e Ministérios instituiu a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (Lei 10.683, posteriormente alterada pela 12.314 de 2010). Verifica-se, portanto, que políticas públicas efetivamente voltadas às mulheres só surgiram após a Declaração do Milênio.

A Lei Maria da Penha fez o Brasil - na minha opinião - identificar esse grande problema de forma pública, mostrar as mulheres que são vítimas de violência que essa realmente ocorre, não deve ser normalizada, deve ser denunciada. E mostrou que o problema é muito mais comum e próximo a todas nós. Para se ter uma ideia, de 2006 a 2012, as denúncias subiram 600%, de 12.664 relatos para 88.685. Atualmente, o país possui uma linha especialmente para esse tipo de denúncia - o Ligue 180 - 93 varas, 29 promotorias e 59 defensorias públicas especializadas. O que infelizmente é muito pouco, se nos dermos conta que possuímos cerca de 190 milhões de habitantes (cerca de 51,4% de mulheres), 5.570 cidades,  26 Estados (+ 1 DF). Mas é algo perto do vazio que existia há apenas seis anos. Para saber mais sobre a Maria da Penha, veja aqui BBCaqui PNUD, e o caso na CIDH.

Outras políticas, como o Bolsa Família, tem servido como um forte instrumento para atingir esses objetivos. A maioria dos detentores do cartão do Bolsa - ou seja, quem efetivamente recebe e fica com eles - são mulheres (se não me engano uns 70%, não achei agora, mas a Dilma vira e mexe diz o número nos seus discursos). O Bolsa serve como maneira de transferir renda, mas os estudos apontam seus resultados muito além disso. Ele estimula o consumo de itens de vestuário (um resumo de estudo sobre isso aqui), estimula a independência das mulheres (leia sobre isso aqui), o empreendedorismo feminino (leia mais aqui)... Agora, o governo o utiliza com escopo além da transferência de renda; ele também é utilizado para reforçar a saúde da gestante (lembrando, o 5° ODM, para ler mais veja aqui), por exemplo. 

Com relação ao 5° ODM, foi criado, ainda, a "Rede Cegonha", que tem diminuído 80% da mortalidade materna. Ela funciona pelo SUS, e busca para as "mulheres, o direito ao planejamento reprodutivo, à atenção humanizada à gravidez, parto e puerpério" e para as "crianças, o direito ao nascimento seguro, crescimento e desenvolvimento saudáveis". Foi criada em 2011 e busca atingir a cobertura total até aprox. 2014. Veja mais neste site e neste.

Quanto à Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, ela deve assessorar a Presidenta na formulação, coordenação e articulação de políticas para as mulheres; elaborar e implementar campanhas educativas, planejamentos de gênero e executar programas de cooperação, bem como acompanhar as leis sobre o assunto e a sua implementação. É esturturada em Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, Gabinete, Secretaria Executiva e até três Secretarias. A atual Ministra, Eleonora Menicucci, é professora e feminista. No site da secretaria há boletins com informações sobre a atuação da secretaria, bem como o andamento das políticas públicas para as mulheres no país, como o Bolsa-Família, reuniões, congressos e outros eventos. Para saber mais é só acessar o site.

Também há outras campanhas do governo para as mulheres em grupos específicos, como em aldeias indígenas, trabalhadoras rurais, artesãs. Vale citar que muitos programas são desenvolvidos por governos estaduais e municipais,e assim, existe uma variação de cada região, também de acordo com (geralmente) a economia do local.

Então, vemos que há um real engajamento do governo brasileiro no que concerne às políticas públicas para proteção da mulher e promoção da igualdade de gênero. Também vemos que há um crescimento em sua implementação, maior debate pela mídia. Entretanto, elas ainda se mostram muito insatisfatórias e pouco abrangentes para um país tão grande quanto o Brasil.



O 3° ODM tem como meta: "Eliminar a disparidade entre os sexos no ensino primário e secundário, se possível até 2005, e em todos os níveis de ensino, a mais tardar até 2015. 
  • Razão meninas/meninos no ensino básico, médio e superior.
  • Percentagem de mulheres assalariadas no setor não-agrícola.
  • Proporção de mulheres exercendo mandatos no parlamento nacional."

Com relação a essa meta, as mulheres representam 56% dos ingressantes no E.S. e 60% dos concluintes (fonte). 39% delas tem ensino básico, contra 35% dos homens. Cerca de 35% tem carteira assinada, enquanto para os homens esse número é de quase 44% (aqui e aqui). Também sabemos que os rendimentos das mulheres são muito inferiores,se comparados aos dos homens com o mesmo nível de instrução. Em média a diferença é de 13,75% (link), mas há cargos em que pode chegar a 77% (veja aqui). Além disso, em 2010 elas representavam 9% dos Deputados brasileiros e 10% dos Senadores, apesar de serem 51,7% dos eleitores do Brasil (mulheres na política).

Assim, podemos ver os esforços que são feitos, mas, ao mesmo tempo, que a evolução é lenta. Creio que os 08 objetivos do milênio são uma meta muito modesta para promover a igualdade de gênero. Podemos ter mais mulheres com nível superior, mais mulheres com carteira assinada (creio que haverá um aumento com a regularização da profissão de empregada doméstica), e cada vez mais representantes do sexo feminino na política. Mas na realidade, pouco se vê efetivamente para  a sociedade. O problema em transformar pessoas e realidades sociais em números é que se esquece o que ocorre in loco. As agressões que continuam a ocorrer, os assédios no trabalho, as populações que continuam com pouca assistência médica devido a ignorância em como proceder. E as mulheres continuarão na tangente, nunca talvez chegando no mesmo patamar que os homens, se não encararmos políticas além dos 08 ODM. O que ocorrerá quando o prazo acabar? E se eles forem supostamente alcançados, o governo deixará de investir na promoção a igualdade? E a sociedade, não precisa saber e se engajar? Qual é o real objetivo, forjar uma realidade ou que ela se concretize?

Sem a participação dos cidadãos do mundo todo e sem que sejam atingidos e informados em todas as suas esferas, creio que não conseguiremos a tão almejada igualdade. No dia de hoje, lembramos os protestos devido a crimes violentos na Índia e África do Sul - mas esses protestos nunca ocorreram no Brasil, quando os mesmos crimes ocorre quase todos os dias. Vemos, aqui, a condenação de homens que agridem mulheres, mas não falam da imensa maioria dos casos que são mal instruídos. E também da opressão e humilhação usados como arma de guerra - que se lembra tanto quando ocorre pelos países africanos, mas sabemos que é praticada pelas nações de todos os continentes.

08 de março e os 08 ODM devem ser lembrados todos os dias. E a promoção da igualdade não é uma meta com prazo para ocorrer. Deveria ser encarada como uma política mundial eterna, a qual deve fazer parte da noção de igualdade que o mundo obteve com a DUDH. Não podemos fechar os olhos para o que realmente ocorre, muitas vezes abusos entre os próprios governantes e altas-cúpulas pelo mundo, as mesmas que diversas vezes forjam metas a ser cumpridas. Mas para isso, é preciso que as mulheres se unam e que façam valer e exijam o cumprimento de seus direitos, como há alguns anos vem fazendo os movimentos feministas, e que a conversa ocorra em todas as esferas, em todas as escolas; é preciso que os cidadãos do mundo inteiro entendam que somente com igualdade poderemos continuar progredindo.

quinta-feira, 7 de março de 2013

 Continente passa por uma séria crise de identidade e unidade está ameaçada
Então a Grécia não quebrou, e a Europa começou a respirar com menos esforço, mas não por muito tempo. Os eleitores rebeldes da Itália, que optaram por um bilionário extravagante e um palhaço, nos recordaram semana passada com que profundidade a crise está entranhada no continente. Enquanto isso, a França está praticamente agindo sozinha no Mali e a Grã-Bretanha fala abertamente em deixar o barco europeu de uma vez por todas. Esta não é apenas uma crise da moeda da Europa, mas de sua própria alma.
Se um dia já existiu uma visão emergente de uma Europa unida, ela está desmoronando por falta de apoio de seus vários povos. Cada um tem seus próprios ressentimentos ou suspeitas dos parceiros. Porém, todos sofrem da mesma carência: pouquíssimos de seus cidadãos se veem em primeiro lugar como europeus.
Curiosamente, no final do século XX, os líderes e as instituições do Velho Continente não compreenderam que, para construir uma Europa comum, eles precisavam encontrar ou cultivar europeus com espírito continental, para dar ao projeto um alicerce federativo.
Como isso seria possível? A história da Europa do último meio século costuma ser retratada como uma sequência de passos rumo a um futuro comum. Porém, talvez, para compreender onde estamos agora, a História deveria começar antes – não com a aglutinação de França e Alemanha na década de 1960, mas com o modelo da Europa na década anterior à calamidade de 1914.
De forma importante, a Europa de 1913 era muito mais cosmopolita e europeia do que a de hoje em dia. Ideias e nacionalidades decresceram e convergiram num canteiro de criatividade. Aquele ano viu o auge do Futurismo, o começo do abstracionismo em Picasso e Braque, a estreia de "A Sagração da Primavera", de Stravinsky, a publicação de "No Caminho de Swann", de Proust. Colaborações para descobrir os segredos mais profundos da ciência transpunham as fronteiras com facilidade. A arquitetura da Áustria imperial e da França republicana encontrou imitadores em cidades que eram pequenas pedras preciosas por toda Europa Central e Meridional; elas eram chamadas de Pequena Viena ou Pequena Paris.
E existiam grandes comunidades de expatriados cosmopolitas – "passeurs" entre culturas, marcadamente os judeus urbanos, bem como as minorias alemãs, espalhadas pela Europa Central e Oriental. Embora o preconceito fosse profundo e fossem tratados asperamente em muitos lugares, em outros eles conseguiam se identificar como cidadãos de um grupo europeu maior, não meramente pela terra onde residiam, e aspiravam ao respeito e conforto.
Posteriormente, nas mãos dos totalitarismos, a maioria dos judeus seria massacrada e os alemães – como outros grupos – deportados aos países de origem. Ao lado de seus maiores crimes, Hitler e Stalin, dessa forma, fizeram sua parte para apagar a ideia de cosmopolitismo na forma que a velha Europa o entendia.
Tudo isso torna ainda mais pungente o costumeiro ponto de partida da narrativa europeia moderna: os escombros de 1945. Um imperativo avassalador pela reconstrução, aumentado pela Guerra Fria, uniu a Europa Central e colocou a Alemanha Ocidental no centro do palco. Os europeus prosperaram num mercado cada vez mais comum. Porém, o elemento unificador não era o otimismo, mas o pavor – o medo de outra guerra entre si ou de uma expansão soviética foi o que levou os europeus ocidentais a superar diferenças caso se desenvolvessem.
Após a queda do Muro de Berlim, a Europa Ocidental se expandiu para o leste, parecendo serenamente se aproximar do Fim da História – paz, prosperidade, segurança social, democracia, com um símbolo unificador, o euro, de Helsinki, Finlândia, a Sevilha, Espanha. Para seus mais de 400 milhões de habitantes, a Europa se tornou um parque temático, museu, supermercado – o continente da EasyJet: eficiente, rápido, aberto a todos a baixo custo.
Porém, agora a Europa pede sacrifícios e solidariedade, e se vê em declínio. Em todos os lugares, ganham populistas e nacionalistas. Gerenciar a austeridade, combater a dívida – no fim das contas, essa não é forma de unir a Europa.
Quem sabe os líderes europeus deveriam ter se alarmado mais quando o entusiasmo pela unidade começou a se esfarrapar antes mesmo da crise. Em 2005, eleitores franceses e holandeses vetaram o avanço rumo a uma constituição europeia. Enquanto isso, os países recém-libertados da Europa Central e Oriental – o "Ocidente sequestrado" de Milan Kundera, desfigurado por 45 anos de ocupação soviética – se viam com economias menos reeuropeizadas e mais globalizadas. O mesmo é válido para a geração ascendente da Europa; ela conhece os prazeres da economia moderna. Porém, tais artigos estão ao alcance mundial de qualquer pessoa com seu nível de riqueza e privilégio. Tirando o euro em suas carteiras, os jovens da Europa não sentem a presença da Europa diariamente.
Formadores de opinião, o comércio e o governo costumam concordar que o continente poderia lucrar com maior unidade política, pois a globalização favorece blocos continentais. Entretanto, as nações e os povos da Europa teriam de abrir mão da soberania, e nada os preparou para isso. No ritmo em que as coisas estão acontecendo, se os europeus forem pressionados em prol da unidade, eles vão recusar.
Por esse motivo, a Europa precisa encontrar uma nova ideia, uma nova visão, um alicerce para o futuro. Princípios familiares elevados não bastarão. Os direitos do homem, pluralismo, liberdade de pensamento, a social democracia do livre-mercado são itens presentes nas constituições de todos os países; os cidadãos não precisam da União Europeia para fornecê-los.
Como, então, estabelecer laços emocionais com a Europa?
Talvez a resposta seja a concepção de uma Europa de carne e osso, com cores, cheiros, folclores, força poética e variedade. O objetivo não é formado em princípios familiares – língua, História ou linhagem comum –, mas justamente pelo oposto: uma compreensão cultural e ponto de referência supranacional, fundamentalmente continental. Kundera cita a "diversidade máxima em espaço mínimo" da Europa – uma noção talvez tão poderosa quanto "liberdade, igualdade, fraternidade" ou "todos os homens são criados iguais".
Essa ideia fundamental é a condição "sine qua non" da unidade política continental. Uma cultura europeia como um todo daria espaço para laços que não existem mais, mas já existiram, como os "passeurs" e as pequenas Vienas e o fluxo de genialidade pelas fronteiras transmitindo o que significava se considerar europeu.
O conceito poderia ser conquistado por um programa cívico europeu em todas as escolas, pela ênfase no domínio de outros idiomas, pelo crescimento dos programas de intercâmbio (de todas as ideias e classes), pela melhoria da mobilidade, pela unificação dos sistemas de saúde e de aposentadoria da Europa, pela eleição de deputados europeus diretamente responsáveis perante seus eleitores, pelo tratamento mais igual de imigrantes e trabalhadores hóspedes.
Agora, algo para meditar. François Hollande, Angela Merkel e principalmente David Cameron: lembrem-se dos "passeurs"! Incentivem a criação de um espaço cultural e público unicamente europeu. Deem-nos uma visão para os povos da Europa: façam-nos sonhar em ser um único povo, e deixem suas ambiguidades de lado. Se vocês aspiram sinceramente a uma Europa política, então assumam a responsabilidade com coragem e uma visão que ultrapasse as próximas eleições e o futuro tropeço econômico.
Promovam a unidade espiritual do continente, organizada em torno de sua diversidade.
(Olivier Guez é colaborador do jornal alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung" e autor de um livro sobre os judeus na Alemanha desde 1945.)
Retirado daqui.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Preços sobem, e ONU alerta para risco de crise alimentar

Por Catherine Hornby

ROMA, 9 Ago (Reuters) - O mundo pode enfrentar uma nova crise alimentar, semelhante à que aconteceu em 2007/08, se os países restringirem exportações para tentarem proteger seus estoques, alertou na quinta-feira a FAO (órgão da ONU para alimentação e agricultura), após relatar uma alta nos preços dos alimentos em decorrência da seca nos EUA.
O milho e a soja bateram preços recordes no mês passado por causa das condições climáticas nos EUA, puxando para cima a cotação de outros produtos, e obrigando a FAO a reduzir suas previsões de declínio nos preços neste ano.
Em 2007 e 2008, a conjunção de preço elevado do petróleo, maior demanda por biocombustíveis obtidos de produtos comestíveis, clima adverso, políticas restritivas para as exportações e especulações nos mercados futuros causaram uma disparada nos preços dos alimentos, provocando protestos em países como Egito, Camarões e Haiti.
"Há o potencial para que se desenvolva uma situação como a que tivemos em 2007/08", disse à Reuters Abdolreza Abbassian, economista-chefe e analista de grãos da FAO.
"Há uma expectativa de que desta vez não adotaremos políticas ruins nem interviremos no mercado por meio de restrições, e se isso não acontecer não iremos ver uma situação séria como a de 2007/08. Mas se essas políticas se repetirem, tudo é possível."
Os mercados graneleiros foram atingidos por especulações de que produtores de grãos do mar Negro, especialmente a Rússia, poderiam impor restrições às exportações por também terem sofrido com uma seca.
Na quarta-feira, a Rússia disse não ter motivos para restringir exportações neste ano, mas que tarifas punitivas aos exportadores não estão descartadas para o ano que vem.
O Índice de Preços Alimentícios da FAO, que mede oscilações mensais para uma cesta de cereais, oleaginosas, laticínios, carne e açúcar, subiu de uma média de 201 pontos em junho para 213 em julho.
A alta reverte três meses de declínio. O índice está abaixo do recorde de 238 pontos em fevereiro de 2011, quando a alta dos alimentos ajudou a estimular as revoltas da Primavera Árabe, mas acima do índice registrado durante a crise alimentar de 2007/08.
A ONG Oxfam disse que a alta no preço dos grãos pode causar fome e desnutrição para milhões de pessoas, que se somariam às quase 1 bilhão que já não têm condições de se alimentar adequadamente.
Abbassian disse que a situação ainda é muito diferente da de 2007/08, quando o preço do petróleo estava em níveis recordes, o que também eleva os custos dos produtores agrícolas.
A abundante oferta de arroz e o fraco crescimento econômico mundial também devem aliviar a pressão sobre os preços, e muita coisa vai depender das condições climáticas nos EUA.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Notícia interessante que vi hoje no site da BBC e pode ser útil nas próximas provas. Conforme ela relata, após a suspensão do Paraguai do MERCOSUL, o Brasil apoia a entrada de Guiné Equatorial na CPLP, apesar de o país estar há 33 anos com o mesmo governo...

vou procurar colocar mais notícias sobre esses assuntos...
(tirei a foto)

 --

Em cúpula lusófona, Brasil apoiará polêmica adesão de país africano

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/07/120718_guine_equatorial_jf.shtml

Atualizado em  19 de julho, 2012 - 05:38 (Brasília) 08:38 GMT
Três semanas após apoiar a suspensão do Paraguai do Mercosul alegando uma "ruptura da ordem democrática" no país, o Brasil reforçará nesta quinta-feira sua defesa da adesão à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) de uma nação no oeste africano comandada há 33 anos pelo mesmo governante.
Sob o domínio de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo desde 1979, a Guiné Equatorial tornou-se, em 2006, observadora da CPLP, criada há 16 anos para estreitar as relações entre os países de língua portuguesa.
No próximo encontro do bloco, que começa nesta quinta-feira em Moçambique, o país africano pleiteará pela segunda vez sua adesão plena à comunidade.
Em 2010, na última cúpula do bloco, o pedido foi rejeitado por falta de consenso entre os membros. Desta vez, Portugal deve se opor ao ingresso do país, que tem cerca de 700 mil habitantes e área equivalente à de Alagoas.
A decisão sobre o pedido só deve ser anunciada na sexta-feira, em reunião entre os chefes de Estado. O Brasil será representado pelo vice-presidente, Michel Temer.
A possível incorporação do novo integrante tem sido contestada por intelectuais, como o escritor moçambicano Mia Couto, e por um movimento criado por ONGs de Portugal, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.
Em carta enviada aos chefes de Estado lusófonos, elas dizem que a entrada da Guiné Equatorial "manchará irremediavelmente a reputação e a respeitabilidade da CPLP na comunidade internacional".
O movimento, que inclui a Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais, acusa o governo Nguema de torturar e prender arbitrariamente críticos e opositores e cita investigações no exterior por corrupção contra o líder guinéu-equatoriano e seus familiares.
Segundo as entidades, o decreto presidencial que em 2010 instituiu o português como terceira língua oficial da Guiné Equatorial "não resulta da história, da expressão cultural ou vontade do povo". Apesar do decreto, o português não é falado no país, que também tem como línguas oficiais o espanhol, idioma predominante, e o francês.
O grupo diz ainda que os apoios na CPLP à adesão da Guiné Equatorial se devem às riquezas petrolíferas do país, terceiro maior produtor da commodity na África Subsaariana.

Argumentos

Já a Guiné Equatorial diz que nos próximos anos o português passará a ser ensinado nas escolas. O governo reivindica a adesão com base em laços históricos com Portugal e na proximidade geográfica com outros membros da CPLP, especialmente Angola e São Tomé e Príncipe.
No site do movimento pró-adesão (mage.eu5.org), partidários do ingresso dizem que Portugal controlou parte do país até o fim do século 18, quando os territórios foram cedidos à Espanha após a assinatura de tratados entre as nações ibéricas.
O movimento também afirma que o país é majoritariamente católico, assim como os outros membros da comunidade, e que já mantém relações econômicas com Estados do bloco.
Há ainda outras razões mais pragmáticas para o pleito. Num continente em que os blocos linguísticos, ecos da colonização europeia, têm um importante papel nas concertações diplomáticas e nos negócios, os guinéu-equatorianos buscam romper seu isolamento na região.
Único país no Golfo da Guiné colonizado pela Espanha, a Guiné Equatorial está rodeada por nações francófonas, anglófonas e lusófonas. O país aderiu em 1989 à Organização Internacional da Francofonia, mas, segundo analistas, jamais se sentiu confortável no grupo.
O interesse em ingressar na CPLP tornou-se, portanto, uma alternativa, respaldada pela ofensiva diplomática do governo Luiz Inácio Lula da Silva na África.
Em 2010, em visita à Guiné Equatorial, Lula apoiou a adesão do país ao bloco. No ano seguinte, já como ex-presidente, ele esteve no país outra vez, quando chefiou uma missão brasileira na cúpula da União Africana.
Segundo um diplomata brasileiro familiar às negociações, a entrada da Guiné Equatorial na CPLP colaboraria com o objetivo do Brasil de difundir a língua portuguesa no mundo. Ele diz que a adesão também ampliaria a influência do Brasil no país, que "é economicamente viável e demonstra a intenção de fazer uma transição política controlada".
Além disso, afirma que a Guiné Equatorial não está suspensa dos blocos regionais que integra e que sua entrada beneficiaria a população do país.
O líder guinéu-equatoriano, aliás, já disse que buscaria o apoio do bloco para aprimorar a educação do país e para concessão de bolsas de estudo a seus concidadãos em universidades do Brasil, Portugal e Angola. A CPLP também é integrada por Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Timor Leste.
À exceção de Portugal, todos os membros do grupo estão entre os principais receptores da ajuda externa brasileira.

Isolamento e sanções

O diplomata brasileiro rejeita os argumentos dos críticos ao ingresso, afirmando que isolamento e sanções não promovem democracia nem respeito aos direitos humanos. Segundo ele, com maior integração e comércio, retrocessos políticos se tornam mais difíceis.
Mesmo assim, diz que o Brasil não pretende fazer da adesão um "cavalo de batalha" e que ela só ocorrerá se todos os membros da CPLP a apoiarem. O diplomata atribui a resistência de Portugal principalmente a pressões da França, que temeria perder influência na região uma vez que a Guiné Equatorial priorizasse a CPLP em detrimento do bloco francófono.
Por mais que Portugal se oponha ao ingresso por enquanto, ele considera que se trata de "processo inevitável", que só será interrompido caso a Guiné Equatorial vivencie retrocessos políticos como um golpe de Estado.
Por ora, as relações econômicas do Brasil com a Guiné Equatorial são modestas. Em 2011, segundo o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o saldo comercial entre os países somou US$ 655 milhões (R$ 1,3 bilhão), com déficit de US$ 588 milhões (R$1,1 bilhão) para o Brasil.
A maior parceira do Brasil na África Subsaariana é a Nigéria – as trocas comerciais entre os países alcançaram US$ 9,5 bilhões (R$ 19 bilhões) no ano passado.
Enquanto o Brasil exporta à Guiné Equatorial sobretudo produtos industrializados, importa do país africano somente petróleo e derivados.
O governo brasileiro espera que as trocas cresçam se vingarem as negociações em curso para a criação de uma conta-petróleo para o país. Pelo mecanismo, que já vigora entre Brasil e Angola, parte da produção de petróleo da Guiné Equatorial garantiria financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) à compra de produtos e serviços brasileiros.
Desde 2010, o Brasil também negocia a venda de corvetas (navios de guerra) para a Guiné Equatorial, que anunciou a intenção de reformar sua Marinha. Se o país ingressar na CPLP, o governo espera que as negociações avancem mais rápido.

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